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Sete graus

Written By De Estimação on quinta-feira, 1 de maio de 2008 | 11:37

Saí da faculdade perto das dez horas da noite. Até chegar em casa, a mesma maratona de sempre, quando perco a carona. Três ônibus até chegar em casa e as cenas se repetem a cada dia, ou melhor, a cada noite. Corro para não perder o ônibus dentro da faculdade. Dentro do ônibus o lugar estratégico de sempre - perto da porta para ser a primeira a descer no terminal. Chegando no terminal, aquela corrida usual para não perder o biarticulado até o outro terminal. Chegando no outro termina, outra correria para pegar o “ligeirinho” até o outro terminal, mais perto de casa. Enfim, a última corrida da noite. Desço as escadas, atravesso o túnel correndo, subo as escadas e quando chego do outro lado, vejo o ônibus acabando de sair do ponto. Esperar o outro é a única solução, porém só 30 minutos depois. E 30 minutos se torna uma eternidade quando a temperatura é de sete graus. Isso mesmo!
Ainda perto da faculdade, olhei pela janela do ônibus e o termômetro lá fora marcava sete graus. Sete graus. Meu Deus, como sobrevivo a isso? Sinceramente, eu não sei. Minha mãe diz que eu vivo reclamando do frio da cinzentinha, e que por isso, ele vem em dobro pra mim. Tudo bem, acho até que ela tem razão sim, mas nossa! Eu sofro muito, porque é muito frio. Muito mesmo! Não tem como ter noção? Então vá até a geladeira da sua casa, veja as opções de temperaturas. A daqui de casa o máximo é de oito graus. Por aí você tira a temperatura em que estou agora.

Pois é, amanheceu e o frio ainda continua por aqui. Estou com três calças de lã, um moleton, dois casacos de moleton e três meias e congelando. Enfim, sete graus e não tenho para onde correr. Frio, frio e frio. Para quê serve o frio? O frio mingua, enrruga, mucha. A pele queima, fica vermelha, os lábios se ferem, se cortam, o corpo endurece. Penso nos animais nas ruas, sem ter onde se esquentarem, ficam úmidos, na chuva, ao relento e isso dói, e pensar nisso machuca o meu coração. Olho para os meus, aqui no quintal. Orelhinhas geladas, patinhas também, carinha de frio, olhos fechados, viram rocambolezinhos, enroscadinhos, tadinhos! Queria protegê-los de tudo, mas quem sou eu? Apenas uma reles mortal que quase morre de frio aos sete graus.

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