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Eis a questão!

Written By De Estimação on domingo, 20 de abril de 2008 | 23:09


Durante a minha vida toda, ou pelo menos desde que eu comecei a me entender por gente, sempre fui tida como uma menina (agora mulher), forte, escrota (como diriam os cearenses).
Lá em casa éramos eu, mamãe e minhas irmãs Flavia e Marina e aqui e acolá, minha prima-amiga-irmã, Paula, afilhada da minha mãe e filha da minha madrinha. De nós quatro, acredito que até hoje eu seja a mais “forte”. Não que elas também não sejam, mas eu era diferente.
Certa vez, em uma consulta com uma cartomante, ela me disse que eu tinha a força de um cavalo e que a vida iria me mostrar isso. Bem, sendo assim, posso afirmar que nem todas as cartomantes agem de má fé, pois a vida me mostrou e ainda mostra isso sim. Não falo isso (ser forte ou não) como um ponto positivo ou negativo; sinceramente ainda não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas eu acho que a minha vida tomou um rumo diferente da vida delas. A começar pelo fato de todas elas já terem filhos e eu não (ou pelo menos ainda não). Outra diferença é que, até agora, eu sou a única que está fazendo faculdade. Também fui a única que engravidou na adolescência e que fez um aborto aos 16 anos. Também fui a única que morou sozinha, que saiu de casa com uma mão na frente e outra atrás sem nenhum centavo no bolso e foi tentar a vida no Nordeste com a cara e a coragem. Se não me falha a memória, também fui a primeira, das quatro, a ter relações com o namorado.
Enfim, no decorrer da minha vida fui percebendo essa “força”, esse meu comportamento “diferente” dos demais, principalmente das outras mulheres. Nos locais de trabalho isso também aconteceu e acontece até hoje. As tarefas que eram pertinentes a mim, sempre foram feitas da melhor maneira possível. Nunca consegui fazer o meu trabalho, fosse o que fosse, apenas por fazer. Se foi designado a mim, então, entendo que devo fazer bem feito, ou pelo menos, o melhor que eu puder. Agora se isso é bom, aí eu não sei dizer. Sinceramente às vezes cansa! Colegas de trabalho e até mesmo os chefes, se aproveitam dessas características. Como os outros faziam (ou fazem) de qualquer maneira ou sem tanto comprometimento, aqueles que se destacam pela seriedade com que leva o trabalho, acaba ficando sobrecarregado. Os chefes sabem que podem contar com aquele funcionário. Sabe que dali vão surgir os resultados esperados e aí é que são elas!!! Muitas vezes levamos o mundo nas costas e isso definitivamente é chato e cansa mesmo!!! Tudo bem que aprendemos muito, mas puxa! Às vezes revolta!!!
No amor acho, que isso também acontece. Aliás, acho não, tenho certeza. As mulheres fortes, decididas e independentes geralmente são as que já passaram dos 30 anos e continuam solteiras. São também as mais cobiçadas por homens casados, namorados de amigas, amigos dos namorados, homens covardes que nos entregam seus corações, mas preferem se casar com as “moças de família”. As mulheres fortes são muitas vezes as mais admiradas pelos homens, mas ao mesmo tempo as que mais os amedrontam e isso também cansa!!!
No domingo passado, passei quase 13 horas dentro de um ônibus de viagem voltando pra casa, depois de uma grande aventura no interior de São Paulo e vim matutando sobre todas essas coisas. Será mesmo que os homens (até mesmo os homens especiais) estão preparados para se relacionarem com mulheres especiais? Eu sinceramente acho que não. Os homens ainda preferem aquelas mulheres oriundas de famílias estruturadas com pai, mãe, irmãos, avós, primos e primas e por aí vai. Os homens tendem a respeitar mais essas mulheres, talvez pela presença da figura paterna, o que nem sempre acontece com mulheres filhas de pais separados (que é o meu caso) ou filhas de mães solteiras. Isso é notório, nem adianta negar!
Enfim, ainda com toda a insegurança que me rodeia, com todos os complexos que eu tenho, com todas as minhas dúvidas e medos, ainda assim, a maioria das pessoas que me conhecem (pessoalmente ou virtualmente), já nos primeiros contatos, dizem que sou uma mulher “porreta”, forte, escrota (como no Ceará) e mais segura do que muita gente! Parece até piada, né? Enfim, obrigada a todos, mas eu preciso confessar que por um minuto eu cheguei a pensar em estratégias para me tornar uma dessas mulheres fracas. Deve ser mais fácil, mais cômodo e de repente até mais feliz.
Para ilustrar, me lembrei do nome de uma peça em que a atriz Zezé Polessa estava em cartaz meses atrás – “Não sou feliz, mas tenho marido”! Acho que resume tudo, né? E isso não vale só para as mulheres não. Isso também vale para os homens, que são tão acomodados quanto as mulheres. A única diferença é que eles têm mais facilidades em ter as mulheres que eles admiram, as interessantes, as fortes, fora do casamento. Pena que, muitas vezes, essas mesmas mulheres são tidas como fáceis, para esses mesmos homens.
Ufa!!! Estou quase sem fôlego, mas a questão é realmente difícil, viu?! Enfim, a escolha é de cada uma e porque não dizer também, de cada um, né?

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